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 in real life +, estúdio + roy e alex
Leroy Tissot D'Peyrefitte
Posted: Feb 3 2012, 12:30 AM


ESTUDANTE DE MEDICINA | MARINA


Group: CIVILS
Posts: 5
Member No.: 33
Joined: 26-January 12



in real life,

I'm waking up alone And it's one more night You didn't make it home And one more time you won't pick up the phone In real life, you never bring me flowers When you're here, it's only for an hour I'm getting used to being on my own Because in real life You're not what I thought Real life This isn't what I want Guess things aren't always what they seem But in my dreams I'm waking up to roses Champagne, kisses and I know It's always, always gonna be Gonna be this way In my dreams you're standing right beside me Two hearts finally colliding Then I wake up And realize, realize, this is real life ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Peguei-me verificando as horas mais uma vez, calculando o tempo provável de chegada de meu pai em seguida e quanto ainda existia para gastar fora de casa sem que ele suspeitasse. Censurei meu ato pela milésima vez em menos de uma hora – tempo estimado para esperar e pegar uma condução para 16ème, não queria me perder dessa vez, por esse motivo deixei de comprar um novo maço de cigarros (visto que agora o meu se acabavam em duas unidades), e conseguir pagar pela minha chegada no horário combinado.Toda a complexidade com o horário era algo retórico, já que em semanas como esta, o hospital recebe vários novos visitantes e Marcus é obrigado a trabalhar até tarde.

Além do mais, provavelmente eu não passaria das dez da noite. Mesmo me convencendo disso meu coração não deixava de estar dando cambalhotas no peito. Sair de casa não é problema e nunca se mostrou um, afinal muitos anos se passaram desde que Nancy me ensinou a aplicar uma tática de sua criação aos treze anos, esta nunca falhou em nenhum momento, e tenho certeza que a técnica está salva como uma das melhores, meu receio é que eu falhe, como fiz a dois dias atrás, por exclusiva ingenuidade minha.

Não foi com a estratégia de burlar as regras de ir direto para casa depois da escola, já que acima disso, meu pai sempre foi muito rígido com uma política de “todo o dinheiro que entra na casa, é da casa”, é claro que isso só se aplicava ao meu dinheiro, e não ao dele. Marcus se mostrou paranóico com o abandono desde que Nancy se mudou de casa. Qualquer início de dinheiro extra poderia indicar a minha fuga. Não que isso devaneios dele, era o meu dinheiro para uma “saída de emergência”. E conseguir um fundo de garantia não era fácil quando não se podia trabalhar sem suspeitas, mas com dinheiro para condução e alguns trocados retirados de seus bolsos esquecidos na hora de lavar me proporcionaram algum lucro no decorrer de alguns anos.

Todo esse extrato era mantido dentro de uma meia no pé esquerdo do meu pior mocassim, a probabilidade dele tocar naquele resto de vestimenta era praticamente zero, já que calçava dois números acima e aqueles não eram calçados apropriados para um médico. Meu primeiro desacerto foi arriscar esconder qualquer coisa que eu não deveria ter, dentro de casa. Fui descoberto num surto de bondade de alguém que mal partilhava uma boa conversa com seu filho, este quis averiguar se eu estava precisando de roupas novas, visto que há três anos minhas roupas se mostraram um pouco justas para o meu corpo em crescimento, e agora que a melhor parte da puberdade havia passado, as vestes durariam mais, a seu ver.

Minha memória recente não me deixava esquecer de quando cheguei em casa naquela tarde, jogando a bolsa no canto da sala, sorrindo e anunciando minha chegada como sempre fazia. Mas ao contrario de minha mãe com um pano de pratos em mãos anunciando o jantar do dia, vi primeiramente as costas da mão de Marcus sobre o meu rosto, que me fez cair no chão pela surpresa. Eu estava perplexo. O que poderia ter feito dessa vez? Virei o rosto para meu pai procurando a resposta em seus olhos trasbordados pela raiva, mas tudo o que presenciei foi antecipar o chute nas costelas que me tirou o ar, essa era a pior parte: ele sabia onde me atingir, onde mais doía e onde não deixaria marcas. E por fim pisou nas minhas costas com o calcanhar, jogando todo o dinheiro que eu havia conseguido em anos por cima de meu corpo inútil, explicando-me o que eu fiz por merecer.

Meu flanco ainda lateja toda vez que ele é acionado de modo mais brusco, suspirar me tira um pouco do serio, mas é uma dor suportável para quem convive com isso há dois dias. A grande perda foram os anos de economia que agora tinham um espaço reservado na carteira de meu pai. E assim como a boa sorte lhe abraçou, ela abriu os braços para mim também. Esta veio de Jean-Luc, me convencendo de que eu tinha uma ótima fotografia, e que ele poderia usá-la por um preço razoável enquanto o desejo por recuperar meu patrimônio subiu-me a cabeça. Era um fotografo conceituado, e a sonoridade de ter um estúdio me levou de bom grado para agendar minha primeira (e espero que última) sessão como modelo.

16ème era pouco visitado por mim, mesmo que lá se localizasse o Hippodrome d’Auteuil, nunca me interessei pelos pontos da cidade que não se dissesse respeito à linda Torre Eiffel. De qualquer modo, só a faculdade tinha o prazer de minha visita regular, além deste toda Paris me era, em partes, estranha. A minha cidade pertencia a outros, e eu não tinha tempo para me importar. Aliás, meu tempo já estava esgotado, faltavam pouco menos de cinco minutos para minha chegada não ser considerado um atraso. Esperava que o que diziam sobre os artistas mostrasse um fundo de verdade, que estes são sempre desorganizados e mal resolvidos.

Estúdio do Jean-Luc?” Profiro de modo impreciso olhando fixamente para o chão, esperando que uma sombra se formasse na luz que vinha de dentro, tomei esse habito porque nunca gostei de ser pego de surpresa quando atendem a porta. O homem havia me entregado todos os comandos possíveis para conseguir me localizar na cidade, e mesmo assim eu estava inseguro deste não ser o local, afinal nunca se sabe o que se pode encontrar atrás de uma porta.

todas as 932 palavras foram escritas especialmente para alex d'agoult, mas também citei NPCs neste post. Roy veste isto, e só para deixar bem claro NOSSA QUE CU, desculpe a enrolação, mas eu tinha que explicar.
alex d'agoult
Posted: Feb 3 2012, 02:13 AM


APRENDIZ DE FOTOGRAFIA | PETIT DÉSIR


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Joined: 22-January 12




Eu sempre ouço pessoas falando “se arrependa apenas daquilo que não fez”. E fico pensativo; afinal, o que diabos isso quer dizer? Então, você se apaixona por uma mulher casada. E diz o que sente; e de repente, nada ocorre como deveria e você destrói um casamento que poderia estar indo muito bem, obrigado, por causa de uma paixão que durará apenas dois meses. Eu nunca gostei muito dessa frase. Ela pode partir corações, machucar gente inocente ou, simplesmente, poupar safados daquilo que realmente merecem. Nunca entendi exatamente por que as pessoas também se seguram nessas frases que acreditam dar-lhe asas. Frases de conforto não fazem você se sentir melhor em tempos de dificuldade e frases sobre a liberdade não o faz ser livre. Pessoas gostam de fingir que se enganam. Como esta sobre arrependimentos. Você deve sim se arrepender por ter destruído a vida de alguém por capricho, por ter dito que amava aquela garota que na verdade, você não sentiu nada. Ou por ter falado que gozou, quando na verdade, nem ao clímax chegou. Você deveria ter se arrependido por não ter sido justo. Real. Plausível. E, claro, honroso. Pois a honra vem de muitas maneiras das situações mais inesperadas e mesmo aquela pessoa que não lhe resta nada, pode ter sua honra intacta.

Eu não acredito em frases de autoajuda. E não concordo com quem acredita; apesar de usar “c’est la vie”; faço isto mais como um deboche do que, de fato, conformismo. Vivemos em um mundo confuso e estúpido. E tudo tende a piorar quando você acaba ficando na ponte que segura etapas diferentes de sua vida. Mas eu me pergunto, por que não saltar? Mergulhar na imensidão que se estende bem embaixo de seus pés e tomar todas aquelas coisas que supostamente são duvidosas como certas; e recriar seu mundo de acordo com aquilo que lhe agrade? E mesmo na dificuldade, nada pode parecer tão ruim quando em um mundo real é; afinal, trata-se de seu mundo particular. Como um planeta, você toma como seu e finca sua bandeira. Seus valores são aqueles que você criou. E não acredita em frases grandes por que pessoas grandes falaram. Eu gosto do mundo a minha maneira. E o compartilho com quem é forte o suficiente para mergulhar no mundo de inverdades que se encontra sobre suas pontes.

Nesse momento de minha vida, eu perdi meu planeta. Não por inteiro e, claro que ainda posso vê-lo em um eclipse solar, de vez em quando. E, eventualmente, quando treinar meus olhos, em um lunar. Ele continua onde sempre esteve, mas, eu procuro por outros caminhos antes de poder voltar ao meu lar. Eu estou como andarilho, descobrindo mundos novos diante de meus olhos e que nunca fui capaz de enxergar por que sou vaidoso demais para ver um palmo de minha mão. A vida parece bela; mesmo que em segredo eu esteja abalado. Não pelos motivos que você, ser humano notoriamente mundano, ache. Mas sim pelas minhas próprias crenças e claro, eu disse adeus a única família que me restava: Théophille. Eu havia acenado; mas, ele me deu suas costas. A sombra de meu planeta havia começado aí. E em ressentimento, engoli toda a minha dor. Como antes dito, eu carregava dentro de mim um aborto. Mas, até mesmo abortos saem de seus portadores eventualmente. Eu espero.

Meu caminho entre meteoros viajantes me levava ao trabalho. E eu me arregaçava em cada aspecto, cuidado do meu para que ninguém dissesse que eu estava em errado. Ou triste. Eu simplesmente acho que a vida é breve demais para viver de passado; mesmo quando este se torna frequente. Como uma cortina de ilusões, fechamos apenas para aquilo que queremos ver. E agora, era Jean-Luc. Sorriu para mim e me ergueu a mão. Eu trabalhava todos os dias, desesperadamente, pois não tinha outra saída. A tarefa de hoje havia sido fácil, apesar de estranha quando dita aleatoriamente. Me pedira para sair por Paris, comprar as frutas mais frescas e quase maduras que eu visse; e não voltasse até ter um belo de cacho de bananas brasileiras nas mãos. Em primeiro momento ri e perguntei se trabalharia com natureza morta; mas, Jean-Luc me respondeu com toda a felicidade do mundo que tiraria fotos de Carmem Miranda. Mas, assim que questionei sobre a morte da cantora, nos Estados Unidos, ele riu-se ainda mais e me disse que sempre haveria sósias. Concordei e fui às compras.

Fiquei quase três horas na rua. Malditas bananas. Não havia brasileiras, mas, achei africanas que eram tão bonitas como tais e, Jean-Luc teria que aceitá-las, pois eu não andaria mais quilômetros para lhe agradar. Fingiria dor nos membros; ou mesmo naqueles lugares onde Théo havia batido repetidas vezes após seus companheiros na delegacia. Mas, estava bem melhor. Andava com mais disposição e mesmo agora, conseguia carregar comigo duas caixas grandes cheias de frutas que ele espalharia pelo estúdio amanhã de manhã para tirar fotos da sósia de Carmem. Assim que subia as imensas escadarias daquele prédio onde o estúdio ficava; ouvi então uma voz nada familiar. Masculina, mas, apreensiva. Jean talvez tivesse marcado alguém para hoje, mas, que alegria! Carregava as caixas; e quase caí, mas, evitei qualquer desvio de caminho, me cuidando o suficiente até que cheguei ao andar. Nunca gostei de elevadores. Vai entender, mas, de todo jeito; assim que me bati os olhos sobre aquele menino, sorri. Mas, tampouco pôde ver meu sorriso pois estes se escondia por trás das caixas de madeira.

Oui!”, respondi; colocando as caixas no chão e puxando um molho de chaves dos bolsos. “Alex d’Agoult, sou aprendiz de Jean-Luc”, lhe informei mais uma vez, agora destrancando a porta e me curvando até as caixas, trazendo-as comigo. Adentrei o estúdio como minha velha morada; e então, me virei, encarando o menino de cabelos claros. Era mais novo que eu, mas, não parecia extremamente infantil. “Pode entrar... Qual é o seu nome mesmo?”, perguntei; não me lembrando ao certo se ele havia de fato mencionado ou não. eu coloquei as caixas de madeira sobre um das muitas meses do estúdio; e então, notei que as fotos que havia feito com Jean-Luc dias atrás estavam penduradas pelas paredes, secando. Nu artístico. Ele havia gostado da ereção e quis fotografar e eu não quis negar. De todo jeito, depois de pensar um pouco sobre aquilo, dei os ombros, andando pelo estúdio achando estranhamente silencioso e claro; vazio. Jean não estava por lá. E quando fui ao banheiro ver se talvez estivesse lendo uma revista no lugar mais calmo de toda Paris; vi que havia um pequeno recado escrito em papel pardo sobre a tampa da privada fechada.

“Alex,
Minha sósia está bêbada em um bar e requisitou minha presença de imediato. Aí vem um jovem chamado Leroy; tire algumas fotos dele. O menino tem o perfil que estamos procurando! Eu mesmo faria se não tivesse que socorrer minha donzela.
Jean-Luc.
PS: Não faça nada que eu não faria, Alex.”

Assim que voltei ao estúdio, sorri a Leroy novamente. E então, tirei o casaco, como antes havia me esquecido. E busquei uma garrafa de uísque escocês embaixo dos jornais espalhados de Jean. “Eu irei fotografar hoje”. Anunciei, por fim, animado.


• log: 01. • nº of words: 1,204. • tags: Leroy Tissot D'Peyrefitte. • clothes: guilty. • notes: mas que boba você! ficou ótimo, espero que o meu tenha ficado a sua altura, sua linda <3

I ♥ petit désir!
Leroy Tissot D'Peyrefitte
Posted: Feb 4 2012, 02:43 AM


ESTUDANTE DE MEDICINA | MARINA


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Joined: 26-January 12



in real life,

I'm waking up alone And it's one more night You didn't make it home And one more time you won't pick up the phone In real life, you never bring me flowers When you're here, it's only for an hour I'm getting used to being on my own Because in real life You're not what I thought Real life This isn't what I want Guess things aren't always what they seem But in my dreams I'm waking up to roses Champagne, kisses and I know It's always, always gonna be Gonna be this way In my dreams you're standing right beside me Two hearts finally colliding Then I wake up And realize, realize, this is real life ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Talvez aquele não fosse o estúdio, ou o atraso para abrir a porta fosse um sinal divino para girar os calcanhares e ir embora, não vou mentir que essa idéia permaneceu em mente por algum tempo. A luz vinda do interior poderia ser muito bem das janelas, e não artificial. Bato com os nós dos dedos novamente refazendo a pergunta, e suspiro me dando por vencido até que um homem responde de modo tranqüilizador. Primeiramente pensei que o som viesse de dentro do estabelecimento, somente quando o tinir das chaves soaram por trás dos meus ouvidos que me virei, dando de cara com o rapaz que agora atendia por “Alex, o aprendiz de Jean-Luc”.

Você precisa de ajuda?” Pergunto quando o jovem se abaixa em direção as caixas, mas este parece se manter muito bem sem minha oferta. Convenhamos que ele não fosse tão jovem assim, com um pouco mais de idade que eu e com certeza com braços mais fortes e experiência. Decidi que o gesto mais educado a se fazer era segurar a porta para melhorar sua passagem, enquanto me via parado na soleira sem saber o que fazer depois do ocorrido. A verdade é que eu esperava Jean-Luc no atendimento, e com isso algo mais profissional e sério, não um rapaz qualquer segurando uma pilha de caixas, mas sempre há a possibilidade que o dono estivesse escondido atrás das paredes, e eu pude averiguar quando Alex permitiu minha entrada. “Han, merci. Eu sou Leroy D’Peyrefitte.

Ao menos me impus o trabalho de estender a mão para um comprimento casual, já que quando este se apresentou ignorou quase todas as formalidades, esses artistas pareciam exatamente como eu imaginei – excluindo a parte de estarem sempre sujo, já que ambos Alex e Jean-Luc não estavam cobertos por nada viscoso quando os encontrei. Em um segundo estão te sorrindo e no outro olhando fotos dele mesmo sem roupas. Incrivelmente me pego encarando-as também, analisando os detalhes fotográficos para ver se eu igualmente sabia fazê-lo de modo profissional, e a resposta era não, eu não sabia. A única coisa que consegui olhando aqueles pedaços de papel pendurados foi um rosto ardendo pela vergonha.

Agradeci internamente por Alex ter sumido de uma hora para a outra, eu não agüentaria ter que encará-lo depois disso. Aliás, tenho quase certeza que não conseguirei vê-lo de outra maneira a não ser nu e com um volume ousado entre as pernas. A fotografia havia realmente me marcado, e não pelos seus pontos artísticos. O que me levou a questionar o motivo que induzia alguém a tirar fotos sem roupa e pendurar no ateliê de outro cara. Para dizer a verdade eu tenho um estereótipo de artistas montado perfeitamente em minha imaginação, e a diversidade sexual faz parte das características dele. Tirá-las a prova não está me dando tanto trabalho quando imaginei.

Eu – eu acho que tudo bem.” Proferi ao ser pego de surpresa, retribuindo o sorriso de Alex (este parecia ter um sorriso fácil, começo a notar, coisa que não estou muito acostumado a receber) com um meio amarelado. Mais uma vez me passa pela cabeça que este trabalho não me concedeu a seriedade esperada, de qualquer forma, Jean-Luc nunca me prometeu que esta teria, ou ao menos me informou detalhes do ensaio. Apenas me convenceu a aparecer com uma promessa de dinheiro no final do dia, fato que começa a me preocupar. Um cidadão descente teria feito as devidas perguntas, ou ao menos pesquisado um pouco a reputação do tal fotografo. Agora eu me encontrava em um projeto de estúdio com um cara que eu nunca tinha visto na vida, e este ainda me sorria com uma bebida em mãos.

Eu estava sendo bobo como de praxe. Tinha essa percepção distorcida da sociedade de que todas as pessoas eram frias e enganadoras, somente porque meu pai apresentava esse perfil. Pensar em Marcus me proporcionou uma pontada no flanco, onde há alguns dias este havia me machucado, como um aviso. Uma vez ouvi dizerem que o ruim para sempre lhe fica marcado, mas o que é bom, em sua maioria, passa despercebido. Uma regra parecida se aplica a minha memória, mesmo que eu lute a favor do contrario, as lembranças se apegam a mim de tal maneira que começam a fazer parte do meu ser. Desfazer-se delas, seria como arrancar parte de mim mesmo.

Pigarreei tentando voltar minha atenção para o presente e limitar meus pensamentos só ao mesmo, remoer angustias na frente de alguém desconhecido me tornaria facilmente vulnerável. Tinha decidido cooperar com tudo que Alex me dissesse, por tanto que isso não incluísse reproduzir suas fotografias impróprias para distribuir em ateliês fotográficos. Se bem que isso é muita precipitação de minha parte, afinal ninguém tiraria proveito dessas fotos em lugar algum. Meu corpo não se mostrava tão formado quanto o de Alex, e eu não tinha uma ereção, e nem pretendia ganhar uma.

Droga, andei reparando de mais naquelas fotos.

Pardon, eu não sei o que fazer.” Minha voz sempre eleva uma oitava em certas palavras quando me sinto envergonhado, transformando-a em uma frase desafinada e pouco gostosa de ouvir. As palavras deixaram minha boca assim que me movi para onde eu imaginava ser o local de fotografia, ou que fosse. O fato era que eu estava mais perdido que em noites onde Paris me enganava entre ruelas, o pior era ter que partilhar isso com alguém experiente e de idade parecida, pelo menos eu não me sentia idiota perambulando pela cidade, como me sentia naquele momento.

Eu devo ficar aqui enquanto você da alguns cliques?” Eu mantinha um sorriso nervoso nos lábios, assim como algumas risadinhas ao acaso. A primeira vez sempre assusta, não importa para que seja. “É que, eu nunca fiz isso, e Jean-Luc não se deu o trabalho de explicar o que eu deveria fazer com detalhes.” Sorri ao final. Acho que eu estava começando a entender o jogo de sorrisos fáceis.

todas as 992 palavras foram escritas especialmente para alex d'agoult, mas também citei NPCs neste post. Roy veste isto, e só para deixar bem claro tenho que parar de fazer posts quase dormindo Q.

alex d'agoult
Posted: Feb 7 2012, 10:26 PM


APRENDIZ DE FOTOGRAFIA | PETIT DÉSIR


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Leroy tinha algo diferente sobre ele. Conforme eu me servia com uma dose de uísque e colocava outra, para enfim entregar-lhe; pude notar que seus olhos eram analíticos, apesar de não ser especialmente crítico. Havia algo sobre ele que era intrigante, também. e essa linha me fazia seguir várias ideias de os porquês que fizeram com que Jean-Luc abordasse um estranho, em plena rua, para tirar algumas fotos. Não que fosse totalmente incomum: mas sempre havia um motivo. Ele falou algumas coisas e eu fingi que ouvi. Estava nervoso, como naturalmente estaria. E eu suponho que havia visto as fotos na parede; uma vez que não conseguia me encarar com seriedade. Quantos anos ele teria? 18? 17, talvez. Dei os ombros e caminhei até ele. Cheirava a precipitação e temor.

O que ele esperava que eu fizesse, afinal? Voltei a encarar minhas próprias fotos na parede. bem, para mim, eram fotos. Para outras pessoas, que talvez fossem banhadas de conservadorismo, com agressão aos olhos uma vez que não era exatamente ricas em pudor. Entreguei-lhe a dose de uísque e não falei nada por enquanto, me perguntando se ele tomaria aquilo ou não. ou melhor! Se já havia bebido algum álcool em sua vida. ou melhor, em sua curta vida. quando me disse que não sabia exatamente como agir, sorri. Era tranquilo. Nem todos haviam nascido exibidos como eu e eu confesso que isso nem sempre era algo bom. Mas, para fotografia... era bom se sentir um pouco desinibido e era esse o maior motivo de eu lhe dar bebida.

Imagino que tenha idade para beber”, constatei, dando-lhe as costas e voltando uma das mesas do ateliê. Bem, aqui também não era o melhor lugar para se chamar de profissional graças aos rolos de papel fotográfico, materiais utilizados e claro, a bagunça pessoal de Jean-Luc; pois além de tudo, aqui era onde ele morava. Afastei algumas coisas e deixei a garrafa ali. então, me voltei para Leroy... Bem, ainda não tinha intimidade com este nome para me lembrar dele a todo o momento. Mas, que fosse... Caminhei aleatoriamente pelo estúdio, acendendo algumas lâmpadas; e também, fechando as cortinas pesadas de veludo preto que faziam com que o estúdio finalmente ficasse perdido na escuridão.

Dei uma reparada rápida no seu copo; e então, voltei até a câmera fotográfica. Ajustei algumas coisas, foco, luz; tudo que precisava ser arrumado. Mas, ainda não o fotografaria. Assim que me contou o que estava afligindo – pois sim, era muito fácil notar tudo ao seu respeito através da rigidez como se portava; e também, pois de certo modo havia em cada movimento que fazia, uma reflexão por trás. Mas, eu gostava dele. Apesar dos pesares; ele não havia me repudiado como muitos faziam. E isso já lhe dava um crédito. “Beba seu uísque, Leroy. E vamos conversar antes de tirar qualquer foto... Quer algo para comer?”. Perguntei. Não conseguiria nada descente com ele rígido assim. Principalmente pois esta mesma rigidez que me incomodava não lhe parecia natural. Há pessoas no mundo que nascem duras por natureza; mas, Leroy tinha algo de intrigante e eu havia notado isso antes. Ou sentindo. O que importava era que eu não queria algo assim, não de primeira.

Me aproximei de onde ele estava parado, sentando-me ao chão. Cruzava as pernas e olhava através da janela, notando que as mesmas meninas que sempre estavam por lá, nos observavam curiosas. Era tão comum... Dei os ombros, levando a garrafa de uísque a boca e tomando um gole mais curto do que Leroy poderia imaginar. “Jean-Luc escolhe os mais ousados para suas fotografias”, comentei, de sopetão. Não sabia se me ouvia ou gostaria de saber daquilo, mas, como deveras ser, eu já havia feito um milhão de análises sobre as obras de arte que ele produzia e também, como ele havia chego até elas. A veracidade era gerada através de sentimentos que tinham o extremo como ponto de partida; e portanto, era impossível acreditar que Leroy era apenas aquele ser rígido. Era muito mais. E eu tinha certeza disso. com um sorriso nos lábios, molhei novamente a boca e então, descansei a garrafa entre as minhas pernas. “Mas, o ousado, claro, pode ser muitas coisas... Entende? Você é novo. Quantos anos você tem?


• log: 02. • nº of words: 709. • tags: Leroy Tissot D'Peyrefitte. • clothes: guilty. • notes: odiei meu post. Me desculpa, ma >.< ele ficou difícil de ler, duro. Sei lá. Me perdoa!

I ♥ petit désir!

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MANIFESTO NA LA CINÉMATHÈQUE FRANÇAISE



"a imagem que permanece para mim de 68 é "nós somos todos judeus alemães". é um slogan, e foi o grito de milhares de pessoas nas manifestações, que gritavam "todos nós somos judeus alemães", sejam negros, judeus, árabes, brancos. para mim, isso simboliza esse espírito de solidariedade multirracial da época. eu tenho um sentimento de reconhecimento. estou muito kitsch (...) isso me faz chorar... estar em uma sociedade onde você tem a impressão de estar sozinho e, de repente, não está sozinho. é um senso de comunidade." daniel cohn-bendit


darren criss @ atf