I: década de 60.
A notoriedade desta década dá-se, não apenas aos movimentos hippies, de rock e claro, alusões à drogas, sexo e a Guerra do Vietnã. A década de 60 tem como carga de extrema responsabilidade o renome de ser a década revolucionária mais importante do século XX; pois é nela que o mundo realmente passa a mudar. Acima de Guerras, um crime contra a humanidade, é nessa época que jovens lutam com a sua vida e sua alma para terem voz. Mostrarem que não são como seus pais, tampouco, estão dispostos a repetir um passado vergonhoso de preconceito – seja contra mulheres, judeus, negros ou gays. É na década de 60 que o mundo sofre um grande tombo que traria mudanças inalteráveis até os dias atuais.
ii: frança.
Mas não estamos falando de hoje. Estamos falando daquela época; onde pela primeira vez estudantes teria força o suficiente para encarar o mundo.
A França, na década de 60, encontrava-se sob o poder do General Charles de Gaulle, que fez com que a sociedade se tornasse incrivelmente fechada e conservadora; vivendo ainda em um reflexo das perdas sofridas na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Nas escolas francesas, as crianças eram disciplinadas com rigidez. As mulheres francesas tinham o costume de pedir autorização aos maridos para expressarem uma opinião, e a homossexualidade era diagnosticada pelos médicos como uma doença.
Alunos nas Universidades decidem que está na hora de mudar, deixar para trás esse contexto errático que havia se tornado a vida. Usando as palavras de um dos líderes dos estudantes (Daniel Cohn-Bendit) para melhor expressar o sentimento dessa massa descontente, podemos facilmente citar este: “Isso me faz chorar... Estar em uma sociedade onde você tem a impressão de estar sozinho”. A maior parte das revoluções estudantis ocorridas na França trataram-se da luta pela justiça, igualdade e principalmente, liberdade que os guiaria para um caminho de exemplo em mudança que se tornaria mundialmente assistido e, além disso, aplaudido.
Estudantes criariam verdadeiras trincheiras nas ruas a fim de confrontar a polícia. E teriam também as ideias mais ousadas da metade do século XX. Com discursos em ruas e universidades, cartazes pendurados em muros e paredes; os estudantes franceses estariam formando suas ideais e também, deixariam as salas de aula, suas casas, para ensinarem aos pais, aos avós, professores, às autoridades uma aula sobre “novos tempos, liberdade e rebeldia”.
iii: os pensamentos.
Surgem nessa época as grandes frases que seriam os escudos desses jovens revolucionários:
Sobre a Liberdade: “Sejam realistas, exijam o impossível!”;
Sobre o Poder: “O poder tinha as universidades, os estudantes tomaram-nas. O poder tinha as fábricas, os trabalhadores tomaram-nas. O poder tinha os meios de comunicação, os jornalistas tomaram-na. O poder tem o poder, tomem-no!”;
Sobre a Política: "Nós somos todos judeus alemães";
Sobre a Revolução: “Quanto mais amor faço, mais vontade eu tenho de fazer a revolução. Quanto mais revolução eu faço, maior vontade eu tenho de fazer amor”;
Sobre a Universidade: “Professores, sois tão velhos quanto a vossa cultura, o vosso modernismo nada mais é que a modernização da polícia, a cultura está em migalhas”;
Sobre a Solidariedade: “A sociedade nova deve ser fundada sobre a ausência de qualquer egoísmo e qualquer egolatria. O nosso caminho será uma longa marcha de fraternidade”.