Photobucket


Photobucket
the history

Era uma vez...
Uma linda princesa de Manhattan, seu pai era um milhonário e ela gostava de encher a cara e dançar até de manhã...

Todos nós já nos encatamos por contos de fadas. E se os personagens que marcaram sua infância não fossem seres encantados em reinos muito distantes mas adolescentes normais? Acompanhe a vida agitada da realeza de New York no Twisted Tales

Photobucket
whats up

Photobucket
O inverno ainda está presente, mas com a Volta às Aulas todos tem de sair e suas confortáveis mansões e super aquecedores, e voltar ao turbulento Colégio Brothers Grimm.
Por enquanto o tempo está calmo, mas logo as tão presentes fofocas do colégio começaram.
Espero que todas tenham comprado seus novos materiais escolares, a diversão voltou.




Photobucket
destaques do mês

Photobucket
Photobucket
Photobucket
Photobucket
Photobucket
Photobucket
Photobucket
Photobucket


Photobucket
even a psycho can work hard

Photobucket Photobucket Photobucket

Photobucket
we share love

Link-us!






 
 

 Oh, mon chéri, I love it!, Fechadim.
Rachel Wyatt Buckeridge
Posted: Jan 26 2009, 03:22 AM


Irmã Má¹
Group Icon

Group: Cinderela
Posts: 5
Member No.: 29
Joined: 12-January 09



Aquela ainda não podia ser a vida que alguém tão unicamente maravilhosa como eu merecia ter, mas, depois de uma temporada infernal no Brooklyn, eu poderia dizer que estava adorando a minha nova vida somente por estar respirando em New York novamente. Céus, como eu pude passar tanto tempo fora deste lugar?

Ah, esta é a minha cidade! Os carros, as pessoas, a agitação... Voltar para cada uma dessas coisas era como estar numa nova e quase ideal existência! Tudo o que eu desejava agora era esquecer aquele passado estúpido e todos os momentos em que dividir tudo com a Hannah era algo definitivamente absoluto... Imagine! Eu tive que aturá-la utilizando os meus vestidos da Chanel, ou quebrando alguns dos meus óculos preferidos – e raros – da Miu Miu porque ela era idiota demais para não saber utilizá-los com a devida classe... Tudo isso porque mamãe não estava com condições financeiras suficiente para bancar uma tarde de compras com nós duas, ou algo assim; o que me deu um ódio ainda mais profundo pelo endividado e falido que eu tinha a infelicidade de ter que chamar de pai. É claro que, em troca de ver meus óculos da Miu Miu quebrados pelo resto da vida, eu destruí aqueles vestidos da Versace que ela tanto amava, mas isso não vem ao caso...

Mas agora as coisas estavam diferentes... Pelo menos, em parte. Eu tinha um quarto só para mim, embora a Hannah constantemente insistisse em aparecer nele nas horas mais inconvenientes. Minhas férias, que já estavam no fim, não teve aquela viagem dos meus sonhos – repetindo as frustrações dos anos anteriores – e eu tive que aturar minha nova “irmãzinha” e seu vício de limpeza por quase 24 horas diárias, por quase todos os dias, mas, ainda assim, posso dizer que elas estavam sendo um pouco melhores do que eu esperava. Além do mais, era muito divertido fazer alguma pequena sujeira para fazer a gata borralheira surtar por não agüentar ver um ponto de pó em cima das coisas dela...

Aquela era mais uma daquelas tardes em que eu estava a rir de mais um ataque histérico da minha querida e adorável irmãzinha. Uma rotina que eu acho que jamais teria como monótona... Foi nesse meio tempo que eu tive a brilhante idéia de fazer algo que eu não fazia há muito tempo, mas que só agora havia passado pela minha linda cabeçinha fazê-lo. ‘Tá, não é bem assim... A verdade é que eu estava tentando fazer isso desde o início das férias, mas Hannah parecia ter um sensor ligado dentro dela que previa quando eu estava cogitando aquela idéia na mente... Toda vez que eu pensava na palavra “compras”, ela aparecia do nada e ficava o tempo inteiro no meu pé, estragando toda a minha brilhante idéia de torrar o cartão de crédito cedido de forma quase satisfatória pelo nosso padrasto sozinha.

Torrar sozinha, porque, infelizmente, embora não dividisse nem o quarto e nem minhas coisas com Hannah, eu ainda tinha a infelicidade de ter que dividir esse maldito cartão com ela. E que ainda por cima estava no nome dela... Será que mamãe confia mais naquele protótipo de gente do que na primogênita dela?

Respirei fundo, pensando na melhor forma de pegar “emprestado” o cartão sem que ela percebesse... Mas não tive muito que pensar, pois, como se o radar realmente existisse, minha cópia fajuta escancara a porta e me lança um sorriso adorável. Reprimi uma careta e, ao notar que ela estava notadamente produzida, arqueei uma sobrancelha, intrigada.

- O que foi? Algum garoto de convidou para sair e você veio me perguntar se está bem arrumada, ou algo assim? – questionei como quem não quer nada.

-.Ah, Rach, eu estive pensando... As aulas já estão para começar... Que tal aproveitarmos um pouco, passeando shopping hoje...? Nós precisamos de roupas novas e... – ela disse num tom animado. Inspirei profundamente e procurei não revirar os olhos.

-E você teve essa idéia sozinha? – questionei entre irônica, surpresa e esperançosa. Tudo bem que a mente da Hannah parecia gostar de trabalhar por si mesma nas hipóteses em que eu preferiria que ela permanecesse em estado letárgico, mas não é como se eu descartasse a idéia de ter mais uma mente tão inteligente quanto a minha, às vezes. Ainda que essa mente fosse a da minha irmã gêmea. Hannah gargalhou e disse que sim, insistindo para que eu me arrumasse. Como eu não tinha nenhuma outra escolha – já que se eu recusasse, era bem provável que ela torrasse a minha parte naquela história toda... –, ergui-me da cama e fui me arrumar.

Espero que a Hannah aproveite essa boa disposição da sua mente e escolha suas roupas por si mesma, para variar; e que, de preferência, ela possua o mínimo de bom-gosto quando gostar de uma; e que, ainda mais, nenhuma delas não passe de uma cópia fajuta das minhas...
Top
Hannah Wyatt Buckeridge
Posted: Jan 26 2009, 04:13 AM


Irmã Má²
Group Icon

Group: Cinderela
Posts: 3
Member No.: 30
Joined: 12-January 09



Voltar para New York, depois de tanto tempo, foi como acordar de um interminável e atormentador pesadelo. Pensar a respeito do Brooklyn, estando novamente na cidade que tanto amava, já não me parecia tão conflitante quanto tempos atrás. Mas não posso dizer que estou a sentir falta daquele fim de mundo, é claro. Na verdade, não ligaria muito se ele deixasse de existir, de repente, ou algo do tipo.

Aquelas estavam sendo, sem sombra de dúvida, as melhores férias que tive nesses últimos anos. Nossa nova irmãzinha ainda era insuportável e chata, mas isso acabava por se tornar mais suportável quando a Rach implicava com ela, ou a pirraçava, de alguma forma. Eu não zombava muito, apenas ria, mas não posso negar que não era uma situação muito divertida.

Diferente de Brooklyn, eu e a Rachel agora tínhamos nossos respectivos quartos. Eu gostava da minha privacidade atual, perdida a algum tempo por conta da nossa antiga situação precária, mas às vezes não podia negar que sentia certa falta da presença da minha irmã. Bem... Às vezes ter alguém com quem você divide a mesma cara chega a ser algo bem intragável, mas acredito que já esteja acostumada a isso.

Eu estava dando uma nova arrumação para meu novo cantinho – na verdade, uma parte específica dele – , por conta da falta do que fazer que parecia predominar aquela tarde. É claro que tínhamos empregados para fazer esse serviço, mas eu não gostava muito que eles fizessem esse trabalho, pois eles nunca conseguiam fazer da forma que eu queria ou imaginava.

Eu comecei a ajeitar alguns dos vestidos, quando ouvi os gritos da Harley e as risadas espalhafatosas da Rach. Gargalhei comigo mesma ao pensar que ela deve ter aprontado alguma. Não quis saber o que era, ao certo, e observei com certa melancolia os vestidos alinhados. Rachel chegara a estragar alguns dos meus preferidos quando estávamos em Brooklyn. Talvez tenha sido alguma espécie de praga por eu ter quebrado, sem querer, alguns dos óculos preferidos dela.

Ao observar meu guarda-roupa recém-arrumado, cogitei que ele precisava ser renovado. Surgiu-me então a idéia de ir ao shopping ver as novidades e comprar algumas coisas, ainda mais agora que eu e a Rach tínhamos um cartão de crédito. Embora eu pudesse considerá-lo mais meu do que dela, já que está em meu nome... Isso não era o máximo? Arrumei-me o mais rápido que pude e, sem conter a minha exaltação, abri a porta do quarto de Rach e fiz menção de falar sobre a idéia, mas, antes que o acontecesse, ela se precipitou, falando algo a respeito de eu estar para sair com algum garoto e estava a pedir alguma opinião a respeito.

Quando eu expliquei a situação, ela questionou implicitamente se eu tive a capacidade de ter essa idéia por mim mesma. Eu apenas gargalhei em resposta e confirmei, pedindo para que ela se arrumasse de uma vez para irmos logo. Rachel às vezes vem com essas tiradas meio irônicas, mas eu sabia que era só uma espécie de brincadeira da sua parte... Afinal, ela não era muito diferente de mim, em alguns aspectos.

Ela finalmente ficou pronta, depois de quase um século. Nós saímos e ela foi dirigindo, como sempre. Para falar a verdade, eu nunca ligara muito para esse fato... Dirigir numa foi o meu forte e não posso negar que minha irmã também não é o melhor dos exemplos ao volante.

Logo após estacionarmos, sai do carro deixando escapar um longo suspiro.

-Então, para onde nós vamos primeiro? – questionei com um sorriso, esperando internamente que minha irmã, pela primeira vez na vida, tenha um gosto relativamente oposto ao meu e me permita comprar algumas das roupas em que eu notavelmente estava de olho, mas não podia comprar por causa da sua monopolização sobre as peças que escolhia.
Top
Christopher Harley
Posted: Feb 7 2009, 03:04 AM


Cérebro
Group Icon

Group: Branca de Neve
Posts: 34
Member No.: 26
Joined: 9-January 09



As aulas estavam pra começar e eu já não agüentava mais essa vida no ócio intelectual. Tudo bem que aquela escola não iria suprir em nada isso, mas só de freqüentar um prédio acadêmico e discordar dos professores enquanto eles escorregavam ou falavam besteira, desperdiçando todos os seus anos de preparo, era um pouco animador. Ou então zoar mais um pouco com Tony ou Adam já era alguma coisa. É, minha vida não era como eu esperava, mas eu fazia de tudo pra suprir isso e no mais, se mostrar muito inteligente em meio a eles não me era vantajoso. Eu preferia mil vezes ficar quieto na maior parte do tempo do que me passar por chato.

Por conta disso, minha mãe que era uma desocupada vinha me enchendo as paciências, dizendo que eu precisava fazer compras para voltar as aulas.

-Já comprei todos os meus livros mãe...- Falei, desviando o olhar da revista que estava em mãos.

-Não meu filho! E não sei pra que você comprou mais livros, você tem tantos e eles são tão iguais.- Ela falou, revirando os olhos. Minha mãe revirando os olhos pra mim? Isso era o cumulo do absurdo. Olhei pra ela boquiaberto. Como ela podia ser minha mãe? Aliás, como ela podia ser mãe? Desde quando livros são suficientes? Balancei a cabeça e nem respondi, enquanto ela voltava a tagarelar. Não meu filho, roupas...- Ela falou, abrindo o meu guarda-roupa. -Como você quer ir pra escola nesses trapos? Assim você mancha a imagem da nossa família.

-Trapos, mãe? TRAPOS?- Falei um pouco alto, me sentando na cama. Não, não podia ser. Eu não merecia aquilo. -Como essas roupas novas podem ser trapos se elas foram compradas recentemente e eu ainda não usei uma boa parte delas?

-Christian, meu filho querido, eu lamento tanto que você não seja parecido comigo.- Eu quase gritei um ”Graças a Deus”!, mas fiquei quieto. -Você é tão lindo, tem dinheiro e TEM que se vestir bem. E roupas se trocam a cada estação. Como você quer usar Jeans das coleções passadas? Me diz? Isso é ridículo!

- E não eu não vou comprar mais roupas. Não tenho saco pra isso. Se você insistir, juro que vou pelado pra escola.- Falei, voltando a deitar na cama e ler a minha revista. Eu sabia que ela pegaria pesado, mas a deixei se esforçar.

-Ok, eu vou comprar roupas pra você então...- Ela falou, fingindo pensar. Porque é claro que ela só finge.

-Fique a vontade, mãe. Eu não vou usá-las mesmo.- Falei, sem nem olhar pra ela.

-Oh meu filho, você vai, que eu sei.- Ela foi até a porta do quarto e gritou a empregada, que subiu correndo. -Seus filhos são quase da mesma idade que Chris, não? Então, pode esvaziar o guarda-roupa dele e levar tudo pra vocês.- Eu arregalei os olhos e me levantei da cama, quando a empregada saiu.

-Você está louca? Pra que tudo isso, mãe? Se você quiser dar metade das minhas roupas, eu não me importo, não uso todas mesmo, mas pra que fazer uma coisa dessas?

-Porque você não me ouve, meu filho! Ela sempre ganhava e naquele momento, eu preferia eu mesmo fazer minhas compras a deixar que ela me fizesse de Ken.

-Ok, pode deixar que eu mesmo vou.- Peguei a chave do meu carro, e desci as escadas, furioso. Louca, só poderia ser louca mesmo.

Entrei no carro e sai cantando os pneus, de casa. Eu sabia que ela não as jogaria fora e eu não compraria nada. Era só pra ela se acalmar, por hora. Segui em direção ao shopping e assim que cheguei lá, entrei em uma livraria. Talvez eu comprasse uma meia e uma cueca só pra ela não dizer que eu não comprei nada. Mas eu não ia me render.

Acho que passei duas horas na livraria e comprei mais uma porção de livros. Ela pediu pra eu ir as compras não é? Pronto, não tinha do que reclamar. Sei que depois desse tempo todo eu estava com fome e decidi comer alguma coisa. Estava saindo da loja, quando senti uma mão em meu ombro, me virei e vi que era uma das gêmeas Buckeridge que me chamava. Eu nunca conversara direito com nenhuma delas, apenas as conhecia de vista e de nome na escola. Danny havia falado que elas eram bastante inteligentes, mas pelo menos gatas elas eram. Ela me cumprimentou alegremente e como eu não sabia qual das duas ela era, apenas falei:

-Oi...- enquanto ela dava um beijo em meu rosto. Ia perguntar como ela estava, quando a outra chegou, me cumprimentando também. Agora que eu não sabia quem era quem mesmo. -Hmm...Quem é quem agora?- Passei a mão na nuca, mas minha voz era de quem estava ”brincando”.

Top
Rachel Wyatt Buckeridge
Posted: Feb 7 2009, 05:11 AM


Irmã Má¹
Group Icon

Group: Cinderela
Posts: 5
Member No.: 29
Joined: 12-January 09



Meu primeiro pensamento ao voltar a pôr os meus lindos e maravilhosos pesinhos onde eles realmente merecem estar, principalmente depois de tanto tempo, era que os shoppings de Brooklyn não se comparam aos de New York. Não que me passasse pela cabeça compará-los alguma vez em toda a minha estadia naquele maldito lugar, mas, ainda assim, é bem notável a diferença entre eles, afinal, os shoppings de New York são shoppings enquanto os do Brooklyn não passam de um monte de lojas unidas umas as outras sem nenhuma função específica(?). Nada no Brooklyn tinha a capacidade de me agradar realmente... E, ah, como eu estava sentindo falta disso!

Eu estava muito animada somente de estar nos estacionamentos do Satin & Crystal, mais uma vez. Tinha grandes expectativas de que seria uma tarde maravilhosa e, como dificilmente erro nesse tipo de suposição, eu realmente esperava grandes ações nessas compras... Suspirei longamente. Oh, céus, eram tantas as lojas e tantas as opções que eu não sabia por onde começar! Se eu já não tivesse alguém com quem dividisse a cara, acredito que seria muito animadora a idéia de poder me desdobrar em dez para estar em vários lugares ao mesmo tempo!

Hannah aparentemente também compartilhava a mesma impressão, pois a primeira coisa que me questionou ao sairmos do carro foi para onde iríamos primeiro... Ah, tudo bem, talvez isso fosse realmente esperado dela, já que ela não consegue pensar em grandes feitos sem a minha grandiosa ajuda, mas pela primeira vez eu não tinha uma resposta notável para dar para ela. Levantei calmamente os meus óculos – sobreviventes – da Miu Miu a fim de encará-la melhor e lhe lancei um sorriso divertido.

-Sabe que eu também não sei?! – respondi de forma sincera, ao que ela riu, acrescentando em um tom meio receoso se nós duas iríamos ficar ali até decidirmos. – Ah, mas é claro que não! – gargalhei um pouco antes de acrescentar. – Vamos dar uma volta primeiro. Se a loja parecer agradável, a gente entra.

Nós seguimos em direção à porta de acesso ao shopping calmamente. Enquanto caminhávamos, eu não duvidaria que acabaria por entrar na primeira loja considerável que visse pela frente, sem nem ao menos analisar as roupas na vitrine. Não que eu estivesse desesperada ao ponto de agir dessa maneira totalmente humilhante... Ou, bem, talvez estivesse. Eu precisava urgentemente de coisas novas, que não fossem da Hannah, ou do Brooklyn.

Mas, bem, não foi isso o que aconteceu realmente, já que a Hannah estacou no lugar e pareceu olhar fixamente para dentro de uma... Livraria. Eu franzi o cenho, intrigada, afinal, Hannah nunca se interessou por livros e não era agora que ela passaria a se interessar. Talvez um que falasse sobre moda, mas não é como se os funcionários se dessem ao trabalho de expô-los na vitrine. O que eu achava um tremendo absurdo, às vezes. Como eles podem cometer uma coisa terrível como essa?! Ah, mas até que o cachorrinho de uma das capas era bonitinho... Será que isso foi o que chamou a atenção da Hann...

Ah.Meu.Deus.

AH.MEU.DEUS!

Travei.

Hm, certo. Travei talvez seja uma palavra muito ridícula para explicar a situação, mas não é como se meu cérebro estivesse realmente trabalhando depois daquela visão. Oh, os livros parecem ser tão mais atraentes naquele conjunto! Ah, meu deus, nos vários sentidos da palavra. Ou o que quer que seja. Ou... Bem, ah, sei lá. Se é que existe algum outro sentido para expressar alguma coisa além de...

-É o Christopher! – eu exclamei, entre surpresa e profunda animação, levantando meus óculos escuros num gesto gradativo. As compras foram vagamente esquecidas da minha mente naquele presente momento. Ah, quem se importa com roupas quando se tem uma oportunidade única de falar com ele, principalmente sem a maldita Blanch ficar marcando território o tempo inteiro? E, além do mais, quem se importa com o fato de ele ser dois anos mais novo que eu? Em poucas palavras, ele é gostoso, tem dinheiro, e a inteligência e a maturidade dele vale por no mínimo uns cinco caras da minha idade. Para mim, é suficiente.

Mais do que o suficiente.

Quer dizer, eu já ouvi outras coisas a seu respeito também, mas eu prefiro guardar para mim mesma por enquanto.

Hannah murmurou alguma coisa que eu não entendi muito bem, mas também não dei muita importância. Continuei a observar Christopher através da vitrine da loja, seguindo-o disfarcadamente com o olhar enquanto ele seguia em direção à saída. Pus meu melhor sorriso no rosto e guardei meus óculos na bolsa que usava, caminhando em sua direção. É claro que eu não deixaria passar a ocasião de falar com ele... De forma alguma!

Ouvi Hannah me chamar num sussurro repreensivo, e a ignorei, mais uma vez. Oras, apesar de ter sido parte de mim um dia, não é como se ela pudesse ter alguma espécie de domínio sobre minha vida. Joguei os cabelos ligeiramente para trás antes de alcançá-lo na saída da livraria. Toquei-lhe de leve no ombro – e que ombro! –, sem deixar de pressionar a região de leve, ao que ele se virou para mim calmamente. Alarguei meu sorriso antes de cumprimentá-lo com um agradável beijo no rosto. Já ia começar a engatar uma conversa um tanto quanto construtiva com ele, quando a minha cópia mal feita fez o favor de aparecer e cumprimentá-lo do mesmo modo. Controlei-me para não revirar os olhos e apenas respirei fundo.

Christopher observou a mim e a Hannah por alguns instantes, sem dizer nada a um primeiro momento. Talvez ele estivesse pensando se eu era a Rachel ou a Hannah, e vice-versa. Não liguei muito para isso, afinal, não é como nos víssemos com uma freqüência ideal para que ele estivesse apto a nos diferenciar, assim, logo de cara, e aquela era uma reação muito comum em minha humilde existência. Mais até do que eu gostaria, devo confessar...

-Hmm... Quem é quem agora? – ele expressou as suas dúvidas em palavras, colocando a mão na nuca num gesto muito fofo. Não pude deixar de rir por conta do tom que eu julguei ser ligeiramente inseguro de suas palavras enquanto Hannah ao meu lado fazia o mesmo.

-Ah, eu sou a Rachel e essa é a Hannah. – falei, apontando para a minha irmã em seguida. – Essa confusão é normal, mas não somos tão iguais assim, e acho que com o tempo você consegue nos diferenciar sem muitos problemas. – sorri meio de lado, mais uma vez. – A mais visível delas é o fato de que a Hannah é apaixonada por vestidos e você dificilmente a verá usando alguma calça, ou algo assim. Eu gosto dos dois, embora algumas vezes me sinta mais confortável com calças. Estamos seguindo essa regra bem hoje...
Top
Hannah Wyatt Buckeridge
Posted: Feb 9 2009, 05:50 PM


Irmã Má²
Group Icon

Group: Cinderela
Posts: 3
Member No.: 30
Joined: 12-January 09



Eu estava particularmente feliz com aquela tarde de compras e esperava delas bons resultados. É realmente reconfortante a idéia de que, depois de tanto tempo, você pode entrar em um shopping sem precisar se preocupar com dívidas e falência, ou cartões de crédito com o limite estourado, ou pagamentos vencidos. Todas as raras ocasiões em que nós íamos às compras com mamãe no Brooklyn, aquele era um presente pensamento em nossas mentes, embora eu me empenhasse muito em ignorado por um tempo, um tanto quanto em vão. Isso, eu podia dizer, não era algo necessariamente animador, afinal, quem ficaria feliz em ver tantas roupas maravilhosas e não poder levar quase nenhuma para casa? É claro que isso me fez odiar ainda mais o Brooklyn, fazendo com que eu solidificasse ainda mais a idéia de que ele era uma espécie de inferno terrestre para todas nós. Repito quantas vezes for necessário o quanto eu estava aliviada e radiante por estar longe daquele lugar. Aliás, mesmo depois de meses, ainda temo que eu acorde de repente e me dê conta de que tudo isso é uma espécie de sonho ou alucinação.

Estar no Satin & Crystal novamente representava todas aquelas mudanças perfeitamente. Seria bom rever todas aquelas lojas, observar todas aquelas roupas, e saber que você estava a fazer isso no lugar que amava, e não naquele que representava o que, sem sombra de dúvida, fora o pior momento da sua vida.

Rachel estava igualmente feliz e animada, mas, como ela costumava ser muito mais espontânea do que eu, aquela sensação pareceu mais sólida em seus gestos e expressões. Saltitante parecia resumir bem muitas coisas que eu observava nela.

Assim como eu, Rach também não fazia a mínima idéia de qual loja visitaríamos primeiro; eu ri pela sua resposta e questionei se ficaríamos ali até que tivéssemos alguma noção do que faríamos, ao que ela acrescentou que iríamos sondar tudo antes de entrar em uma delas efetivamente.

Eu não podia negar que estava ansiosa. Tudo bem que às vezes era agradável usar algumas roupas de Rachel, afinal, elas eram perfeitamente concernentes ao meu verdadeiro gosto, mas não é como se eu não desejasse ter coisas propriamente minhas, para variar um pouco. Era realmente aborrecedor vê-la reclamar todas as vezes em que eu escolhia alguma peça parecida com a que ela tinha acabado de escolher e eu simplesmente decidi mudar meu estilo para me poupar desse tipo de situação. Os vestidos, em geral, eram de minha constante opção, já que Rachel dificilmente dava atenção a eles; não gostava muito de usar no começo, mas aprendi a ter certa estima e gosto por eles, depois de certo tempo.

Nós entramos no shopping e passamos a olhar tudo ao redor a passos tranqüilos e observadores. Decidi não me manifestar a respeito de nenhuma loja, já que Rachel sempre acabava entrando na que ela realmente desejava; o que para mim não era nenhum problema. Mas não cheguei a caminhar muito, pois, ao relancear a livraria, algo me atraíra a atenção, e eu parei quase que instintivamente.

Por incrível que pareça, fora a capa de um livro. Eu digo incrível porque ler não estava dentro das minhas coisas favoritas de se fazer, então, não é como se eu me desse ao trabalho de dar tanta atenção assim a eles. Mas várias pessoas falam que a leitura era conhecimento, além de sabedoria(?), e não era como eu não estivesse preocupada com o meu futuro universitário, por exemplo. Acredito que a vida no Brooklyn me fez aprender que devo ter mais um pouco de responsabilidade e pensar nesse tipo de coisa, pelo menos em algum outro plano que não seja o último.

Não que eu chegasse a cogitar a hipótese de que eu chegaria a lê-lo por completo, mas ter uma boa capacidade de memorização ajuda na hora de estudar para uma prova, por exemplo. E, bem, era o que eu acho que o livro explicava, afinal, não falam que ter uma “Memória de Elefante” possui uma grande capacidade de memorizar o que presencia ou vê? Bem, talvez fosse só um título para chamar a atenção, que não tinha nada a ver com o que eu estava pensando que era, mas não pude deixar de pensar que era um bom achado para eu ter notas mais do que razoáveis na escola nesse ano, para variar.

Quando percebi esse meu breve desligar do mundo para uma breve reflexão, observei ao redor, procurando por Rachel. Percebi que ela estava ao meu lado, estática, esboçando um ar um tanto quanto... Embasbacado. Franzi o cenho, confusa, e já ia perguntar o que ela vira para deixá-la tão esquisita, quando ela pareceu prestes a soltar um gritinho de alegria, antes de exclamar um “É o Christopher!”. Minha feição se contraiu ainda mais e já estava prestes a perguntar um “Quem?”, quando me recordei que era um daqueles rapazes que sempre andava com Blanch. A Rach tinha certa tara por ele, eu acho; mas também não nego que o acho um gato. Aliás, recordando-me do “séqüito” que acompanha Blanch, eu podia dizer que ela era uma sortuda sem tamanho...Embora um deles me dê certo medo e um outro pareça meio gay, já que ele aparentemente foge de garotas que estão a fim dele... [off: oh, céus, estou difamando meu próprio filho? – cof cof; mas, bem, são pensamentos da Hannah, não meus, Adam querido... >.< ] Para não dizer outra coisa. Eu realmente não sei o que ela tem de mais para viver cercada deles, todo o tempo. Mas, enfim, não importa.

-Você não vai atrás dele, vai? – perguntei para Rachel num tom meio receoso, ao que ela pareceu não me dar ouvidos. Tipo, era quase impossível para mim conceber a idéia de que ele estava sozinho ali e que Blanch não apareceria do nada, pulando na Rachel e enfiando uma granada na minha irmã por goela abaixo por pensar que ela estava dando em cima de um dos garotos dela.Bem, ela tem um ar de maníaca... Mas ao sentir aquele frio no estômago característico ao observá-lo mais uma vez, eu até que achei que seria legal conversar com ele um pouco, ou qualquer coisa assim. Corei instintivamente. Quer dizer... Enfim, deixa para lá.

Devaneei por um tempo e, quando dei por mim, Rach já tinha sumido do meu lado e caminhava em direção a ele. A repreendi num sussurro, para não chamar a atenção, mas não foi nenhuma novidade o fato de que ela me ignorou novamente. Respirei fundo quando ela jogou os cabelos para trás e tocou o ombro dele calmamente. Decidi, então, me aproximar para não ficar parada olhando para os dois com um ar meio patético.

Eu o cumprimentei com um beijo no rosto, assim como Rach havia feito há pouco. Ele pareceu confuso, mas não era como se fosse uma confusão por não fazer a mínima idéia de quem éramos... Quer dizer, não completamente. Coisas de gêmeas, para resumir bem a situação. Sorri involuntariamente, e quase ri quando ele pareceu meio sem-graça ao questionar quem era quem naquela história toda, principalmente porque achei muito lindo e fofo ele ter colocado a mão na nuca enquanto perguntava isso. Rachel começou a rir e, quando dei por mim, estava fazendo mesmo. Mas, tudo bem, eu entendia o lado dele. Até eu mesma às vezes estranhava o fato de ter uma pessoa igual a mim no mundo.

Depois de um tempo parei de rir e já ia me apresentar como Hannah, mas Rachel foi mais rápida. Ela era sempre a mais espontânea nesse sentido e não me importei, mais uma vez. Rach acrescentou que não tinha problemas e que ele aprenderia a nos diferenciar com o tempo, explicando que uma das diferenças mais visíveis era a nossa maneira de se vestir. Respirei fundo e não comentei nada a respeito. Quando ela terminou de falar, sorri de leve para ele.

-É; estamos seguindo... – disse, rindo um pouco, antes de acrescentar algo que julgava relevante. – Outra coisa é que eu tenho um sinal na nuca, e a Rach não, mas não é como se fosse algo visível, a maior parte do tempo... Fiquemos com as roupas por hoje. - parei alguns instantes antes de prosseguir. - Mas, então, como você está, Christopher? - questionei num ar gentil, sentindo um ligeiro olhar atravessado de Rachel sobre mim, o qual ela soube disfarçar perfeitamente em poucos instantes. Hm, será que eu tinha falado algo errado?
Top


Topic Options Quick Reply




Hosted for free by InvisionFree (Terms of Use: Updated 7/7/05) | Powered by Invision Power Board v1.3 Final © 2003 IPS, Inc.
Page creation time: 0.4883 seconds | Archive
Skin (all i can see is RED) created by .vagabond of RCR & CAUTION.