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| Giant |
Posted: Aug 25 2005, 11:27 PM
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Administrator Group: Admin Posts: 119 Member No.: 1 Joined: 20-August 05 |
![]() A razão principal de gostarmos tanto de andar de BTT, é o contacto com a Natureza. Prezamos tudo o que vemos mas não dispensamos o que a evolução do ser humano nos trouxe. Da civilização trouxemos o instrumento que nos proporciona o transporte, assim como todos os acessórios necessários ao bom desempenho deste e tudo para a nossa segurança e conforto. Outra razão é o convívio, e as pessoas com quem nos aventuramos pela mata dentro podem até não ser nossas conhecidas, mas sabemos que se ali estão já preenchem grande parte dos requisitos que definem o nosso grupo de amigos. A prática do BTT faz-se, maioritariamente, ao fim de semana, pois é quando grande parte dos praticantes tem a sua pausa de uma semana de trabalho. Durante os dias de semana estamos em contacto com um pouco de tudo e algumas coisas ou pessoas agradam-nos e outras menos. Vivemos em sociedade com deveres e direitos, leis e relações pessoais que podem, ou não, gerar conflitos e amizades, enfim, ligações ou ausência destas. No BTT surge a excepção à regra... No meio do trilho não há algumas destas coisas, ou seja, ficam apenas as mais positivas. Para descomprimir chega, então, o fim-de-semana. Após cinco dias a planear e pensar o que se sucederia nestes dois, começa a nossa outra rotina, mais agradável. Acordar cedo, tomar o pequeno-almoço, vestir roupas próprias, verificar se tudo está bem na bicicleta, recolher água e abastecimentos e lá estamos na rua antes dos passarinhos acordarem. Olhamos à nossa volta e, ao contrário do resto da semana, vemos tudo diferente. ![]() ![]() A maioria dos automóveis ainda estão estacionados e outros circulam de volta para os seus lugares habituais, depois de passarem a noite fora. O silencio impera e o céu ainda não está aceso com o brilho, e calor, trazidos até nós pelas contínuas explosões solares. Uma névoa fina desfoca o fundo da rua, ao nível dos nossos olhos e nós pensamos: “Eu estou aqui, a estas horas e nestes preparos, porque quero e gosto.” ![]() ![]() ![]() ![]() Arrancamos, de carro ou de bicicleta, para o local de encontro, combinado através da Internet pelos fóruns que permitem a reunião virtual da comunidade que nos une. Mesmo que não o tenhamos feito, podemos saber através de um outro amigo que aceitou o desafio de se juntar a quem conhece este ou aquele trilho, nesta ou naquela Serra. Mesmo que já lá tenhamos estado inúmeras vezes, há sempre um trilho novo, um truque novo ou mais capacidade que tenhamos adquirido com o tempo assim como a vontade de rever companheiros de outros passeios e aventuras. ![]() Ao sair da nossa casa, da nossa rua e do nosso bairro, encontramos tudo o que durante a semana nos atormenta ou nos mói o juízo. As ruas menos limpas, os prédios escuros e semeados ao calhas, a poluição,o ruído, o trânsito e o desrespeito das regras que o tentam tornar seguro para todos, e pensamos: “Hoje não me afectam, vou fazer algo que gosto e apenas penso no gozo que isso me vai dar.” ![]() Dure o tempo que durar até lá chegarmos, vai parecer sempre menos. A diversão tem esse poder nos relógios internos, acelera o tempo. Sem darem por isso já estão a arrumar o carro, ou a saltar um passeio, com ambas as rodas, na direcção do ponto de encontro. Já lá está aquele rapaz que vos ajudou daquela vez em que… ou aquele que deu aquela valente queda naquele dia em que… ou o grupo que chega sempre a horas e já está a desenhar círculos no chão à nossa espera… ![]() ![]() Hoje vai ser diferente de todos os outros dias porque vês malta nova, que não reconheces de vista mas com quem já falaste, quem sabe, no ciberespaço. ![]() ![]() ![]() Hoje vai ser diferente mesmo. Está cá quem tu queres e não quem és obrigado a ver. Estás onde queres, rodeado por quem e pelo que queres, montado numa bicicleta que te deixa ir onde apontas com o dedo… “Ali no cimo daquela montanha, estão a ver?” Texto:Mario Fonseca Fotos:Mario Fonseca |
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